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A tradição da Igreja cunhou vários qualificativos para São José, e um deles é: Pai Nutrício de Jesus. Acredito que este qualificativo dado a São José tem muito a dizer para os jovens de hoje que buscam se firmar e espelhar numa pessoa que os acompanhe com amor paternal. Muito jovens buscam a figura de um pai, amigo ou conselheiro para se sentirem mais seguros e confiantes para enfrentar os desafios do dia a dia.

“Nutrício” de nutrir, alimentar, cuidar. Prover às necessidades e carências. Zeloso, José cuidou de Jesus criança, adolescente, jovem, incluindo a fase uterina, já que cuidou também da esposa Maria, mãe do filho adotivo.
O ato e função de nutrir é todo um processo que envolve suprir o corporal, o psíquico e o espiritual de uma pessoa, nas suas necessidades básicas.

Sob o aspecto corporal, vemos o empenho de José em atender às necessidades físicas de Jesus (comida, roupa, teto, medicamentos, lazer…). Diz o Evangelho que “o menino crescia em idade, e era robusto e saudável”.

Nutrir o psíquico é prover à alma, sensível… É saber lidar com as emoções, moldar o caráter, construir a personalidade. É atuar no campo mental e educacional, alimentando a inteligência e ajudando a desenvolver todo o aparelho psíquico. Diz o texto sagrado que “o menino crescia em sabedoria e inteligência”.

O alimento espiritual é o cuidado com o desenvolvimento dos dons do Espírito Santo, os dons e carismas que nos são dados “de graça”, pura gratuidade de Deus para conosco. Reportando-nos ao Evangelho: “o menino crescia em graça, diante de Deus e dos homens”.

José é instruído (pelo Anjo mensageiro de Deus) a receber Maria em sua casa e a acolher o fruto do seu ventre. E, como a um verdadeiro filho, dar um nome ao menino: Jesus.

O ato de acolher marca o início da missão de nutrir. Quem ama alimenta o outro com o Amor, através das atitudes, do olhar, das palavras e também do silêncio… É dar de si, no desvelo da presença amiga e amorosa.

Assim é José, o pai nutrício de Jesus. O pai que o olha e dele cuida, com um olhar amplo, atento às necessidades do corpo, da alma e do espírito. Inicia o adolescente Jesus no mundo do trabalho, treinando-o no ofício de carpinteiro e dando-lhe uma profissão. Eis como lhe ensina a ganhar o pão com o trabalho de suas mãos e suor do seu rosto. Eis como faz dele um cidadão trabalhador, integrado na sociedade em que vive.

Guia os passos do jovem Jesus pelos caminhos da espiritualidade. Ensina-lhe a ler e interpretar a Torá. Leva-o às peregrinações e às celebrações litúrgicas nas sinagogas e nos templos. Introduz seu menino nos ritos e doutrina judaicos.

Inicia o adolescente Jesus na participação da vida familiar, no convívio do lar. Jesus, o filho de Maria e o filho do carpinteiro José. É aqui que se molda toda a sua personalidade, forma-se o seu caráter, desenvolve-se o equilíbrio do seu aparelho psíquico e mental, suas habilidades e talentos. Sobretudo, é no lar de Nazaré que o pequeno aprende a falar, pensar, escutar e amar.

É nesse ambiente familiar que Jesus vai desenvolvendo sua sociabilidade, relacionando-se com os parentes, com os amigos de seus pais, numa postura de respeito e cordialidade para com as pessoas. Um pequeno cidadão galileu, gentil no trato e nas relações humanas, e que sabia respeitar as diferenças. Assim o adolescente Jesus crescia em sabedoria.

Eis a missão de José: alimentar e cuidar do Filho de Deus, ajudando-o a se desenvolver e ir tomando consciência de quem é e qual o papel a cumprir, o caminho a trilhar… Prepará-lo para fazer suas escolhas e assumir sua condição de agente protagonista e transformador do mundo.

Para isso foi imperioso, essencial, que o carpinteiro José tivesse uma postura íntegra, de homem santo e justo. Por isso sempre procurou viver uma vida simples, devotada à sua família, ao trabalho e de intensa comunhão com Deus, na oração.

Sendo homem fiel como esposo e pai, soube José corrigir, premiar, ouvir, conduzir de uma maneira sábia o seu pequeno. Deixou-se docilmente guiar pelo Espírito Santo e pela voz do Anjo. Está sempre próximo e atento ao filho, tendo sempre diante de si a responsabilidade de prover às suas necessidades.

Para nós, Igreja de Jesus, é o santo que socorre em todas as necessidades. No céu é feito tudo o que ele pede, ele é atendido, pois um pedido seu é uma ordem no céu.

São José atende aos pedidos de conversão, de mudança de vida, às preces de pessoas que estão mergulhadas no mundo do pecado. Ele é o santo misericordioso que vai atrás dos pecadores, desperta-os para o amor a Jesus e a Nossa Senhora. É o santo da boa morte, da presença e assistência na hora do passamento desta vida para a vida eterna.

Nosso grande protetor e intercessor, São José nutre nossa vida espiritual e religiosa. Quer ver a todos nós seus devotos sãos e salvos. Ele reúne em si todos os tesouros e riquezas de Deus. Devemos recorrer a ele em todas as circunstâncias e necessidades, com inteira confiança em seu patrocínio.

“Valei-me, São José!” deve ser a constante oração de nossa boca e nosso coração. São José não falha. Deixo esta oração a aqueles que desejarem estar em comunhão com este Santo de Deus: “Salve José, agraciado por Deus, o Senhor é convosco. Bendito sóis vós entre os homens e bendito é o fruto do vosso piedoso coração, Jesus. São José, pai adotivo de Jesus, olhai e cuidai de nós, agora e na hora da nossa morte santa. Amém.”

Por Padre Luiz Roberto Teixeira Di Lascio, Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário da Pompéia Arquidiocese de Campinas-­SP e criador do Terço Abençoado de São José 

 

Fonte: Jovens conectados


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