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Como se confessar?

1) Realizar previamente um bom exame de consciência. Para tanto, cada cristão católico dispõe da Sagrada Escritura e das orientações do Magistério da Igreja. O penitente deve realizar sua reflexão a partir do confronto pessoal com Cristo, à luz da Palavra de Deus: Eu tenho pensado, sentido e agido como Jesus? Essas perguntas me ajudam a reconhecer o pecado em minha vida. Também, posso realizar meu exame de consciência a partir dos seguintes critérios: a) minha relação com Deus; b) minha relação com o próximo; c) minha relação comigo mesmo; d) minha relação com a natureza e o mundo.

2) Ao reconhecer o pecado, precisa haver um sincero arrependimento. Essa é uma dor da alma, da consciência pelo fato de ter ofendido a Deus e aos irmãos. É diferente do remorso. Esse último é um estado psicológico em que a pessoa apenas se culpa pelo passado, mas não tem o propósito de mudança. Por isso, para se confessar bem, é preciso dar o tempo necessário para gestar o arrependimento em meu coração. Tomemos cuidado com escrúpulos! A confissão não pode ser um gesto mecânico ou devocional. Deve ser uma atitude concreta de um coração pecador que quer se encontrar com a misericórdia do Pai.

3) Diante do ministro ordenado, o penitente deve manifestar verbalmente os seus pecados, inclusive citando as circunstâncias que sejam agravantes. Nesse sentido, não posso falar simplesmente, por exemplo, “Senhor Jesus, eu pequei contra o 7º mandamento, pois eu furtei.” Isso ainda não é o ideal. O Papa Francisco afirma que as crianças sabem confessar muito melhor do que os adultos, pois elas não têm medo de dizer o que fizeram. No exemplo acima, devo dizer se possível para o confessor: “Senhor Jesus, eu furtei uma peça de roupa de uma pessoa pobre ou rica uma única vez”. É bem diferente dizer: “Padre, eu furtei dois milhões de reais de um hospital”. O pecado de furtar é o mesmo, mas as circunstâncias e os agravantes são diferentes. Essa objetividade de sua confissão ajudará o seu confessor a realizar uma melhor orientação e aplicar o remédio da misericórdia em sua alma. Por isso, a confissão não pode ser genérica. Isso não significa que devo dizer com quem pequei nem os detalhes do ato pecaminoso. Você confessa o seu pecado, não o do outro!

4) Confissão não se trata necessariamente de direção espiritual. Na direção, o cristão se inserirá em um processo de aconselhamento, falará de fatos que não impliquem somente o pecado. A direção tem como critério principal aconselhar e orientar a caminhada para o futuro. Na confissão, devo falar o que cometi desde a minha última confissão. Confissão não é aconselhamento psicológico, não é bate-papo com o padre, não é passatempo, é celebração do amor de Deus em minha vida. Em certos casos, pode-se haver, ao mesmo tempo, direção espiritual unida ao sacramento da reconciliação. Esteja atento em dias em que há grande fluxo de pessoas. Ser objetivo em sua confissão é um gesto de caridade para com os outros penitentes!

5) Após a confissão dos pecados, o confessor dará conselhos e recomendará ao penitente alguma obra de satisfação. Essa obra é não pagamento pelo pecado, mas uma atitude espiritual para que cada cristão persevere no caminho do Evangelho. O penitente tem o dever de cumpri-la. É adequado, portanto, que o sacerdote prescreva um “remédio”, algo que ajude o penitente a sair da “doença” do pecado, exortando-o a praticar ações pessoais e concretas para sair do vício, para realmente converter-se.

6) Antes da absolvição, o penitente pode manifestar sua sincera contrição com o ato de contrição conforme aprendido na catequese ou com frases bíblicas como esta: “Pai, pequei contra o céu e contra ti, já não sou digno de ser chamado de teu Filho” ou “Senhor Jesus, filho de Deus Salvador, tende piedade de mim, porque sou pecador”.

7) O ministro ordenado concede ao penitente a absolvição sacramental. Após esse momento, o penitente pode recolher-se em oração agradecendo a Deus por sua divina misericórdia.

Autor:

Padre Hallison Henrique de Jesus Parro, assessor diocesano do Setor Juventude


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