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DOCUMENTO 85 – EVANGELIZAÇÃO DA JUVENTUDE

 

 Por Pe. Hallison Henrique de Jesus Parro

hallisonparro@hotmail.com

 

RESUMO

 Introdução

 Jesus envia a Igreja ao mundo para dar continuidade à obra da redenção. “Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar, ou seja, para pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça.” (2)

A Igreja é uma obra de Deus destinada a todos os homens e, de maneira especial, aos jovens, para que façam a experiência de serem filhos amados do Pai e irmãos de todos. Como Mãe, a Igreja deve suscitar a fé no coração da juventude, apresentando-lhe a pessoa de Jesus Cristo. Somente por meio de um verdadeiro encontro amoroso com Deus, o jovem conseguirá organizar o seu projeto de vida com base nos valores do Evangelho.

Portanto, a Evangelização da Juventude exige: a) o testemunho de vida; b) o anúncio de Jesus Cristo e uma adesão consciente a Ele; c) a adesão à comunidade; d) a participação na missão da Igreja; e) a transformação da sociedade.

Deve-se dar prioridade ao anúncio querigmático de Jesus Cristo, que, posteriormente, será assimilado nos diversos grupos de convivência entre os jovens, por meio da dimensão catequética da fé.

 

Capítulo I – Elementos para o conhecimento da realidade dos jovens (VER)

 Conhecer os jovens é condição prévia para evangelizá-los (10)

 

1) Transformações culturais e os jovens

Modernidade (séc. XVI)

Eixos fundamentais: a centralidade da Razão (Liberdade, Igualdade e Fraternidade – Revolução Francesa) e a defesa da democracia, dos direitos individuais e do respeito à diversidade.

Concílio Vaticano II (1962-1965) – Tentativa de diálogo eclesial com o homem moderno

Pós-Modernidade (séc. XXI)

Eixos fundamentais: a centralidade da Emoção (Subjetividade) e novas expressões da vivência do Sagrado

O subjetivismo pode gerar nas pessoas: a) permissividade; b) egoísmo; c) identificação de felicidade com prazer; e d) incompetência para lidar com a pluralidade.

Centralidade das emoções (perigo): esvaziamento intelectual, superficialidade e falta de perseverança.

Expressão do Sagrado: religiosidade mais individual

Manifestações religiosos e místicas (ocultismo, Nova Era, esoterismo, horóscopo, astrologia) e fundamentalismo religioso (fuga da angústia de da dúvida)

Sucesso do Neopentecostalismo: elemento afetivo em sua metodologia

Mudança cultural

Décadas de 70/80 – ideais coletivos e narrativas utópicas (Socialismo, Capitalismo, Sociedade Alternativa)

A partir da Década de 90 – necessidades pessoais e busca da autoestima, preocupação com o presente, religião imediatista.

 

Desafios atuais

1) Equilíbrio entre o racional e o emocional

2) Equilíbrio entre projeto individual e  o projeto coletivo

A mudança cultural é uma verdadeira porta para a evangelização. Entretanto, deve destacar a necessidade de a Igreja resistir à tentação de reduzir ou manipular a mensagem do Evangelho para ganhar mais adeptos.

 

2) Perfil da Juventude Brasileira

 Brasil/ONU: A juventude compreende a faixa etária que se estende dos 15 aos 29 anos completos. A juventude tem múltiplas dimensões, já que os jovens experimentaram situações econômicas e sociais totalmente distintas. Nesse sentido, poder-se-ia afirmar que há ‘juventudes’.

a) Perfil socioeconômico

– disparidade de renda

– inserção no mercado de trabalho

– drogas (lícitas e ilícitas)

– gravidez na adolescência

– limitado acesso a atividades esportivas e culturais

– exclusão digital

– crise da família (sérios problemas emocionais)

Três marcas da juventude contemporânea: 1) Medo de sobrar (desemprego), 2) Medo de morrer precocemente (violência) e 3) Vida em um mundo conectado (internet).

b) Protagonismo e participação social

Fenômeno associativo:

  1. Pertença a grupos que atuam para transformar o espaço local
  2. Participação em grupos que trabalham nos espaços de cultura e lazer
  3. Mobilização em torno de uma causa e/ou campanha
  4. Grupos reunidos por identidades específicas

c) Perfil religioso

– Experimentação religiosa

– Adolescentes: busca por espaços grupais

– Jovens (Pós-crisma) de nossas paróquias não permanecem nos grupos de jovens e muitos deixam de participar da Santa Missa após a conclusão da catequese de Iniciação à Vida Cristã.

Constatação: os jovens não encontram espaços adequados nem são acolhidos em algumas paróquias. Muitos líderes são incapazes de perceber a importância da juventude para a vida e a renovação da Igreja.

 

Capítulo II – Um olhar de fé a partir da Palavra de Deus

 (JULGAR)

 

Ser cristão consiste em conhecer a pessoa de Jesus Cristo e fazer opção por ele. Para que a evangelização da juventude seja verdadeiramente eficaz, os assessores devem trabalhar os seguintes eixos temáticos: a) seguimento de Jesus Cristo; b) Igreja, comunidade dos seguidores; c) construção de uma sociedade solidária.

 

  1. Seguimento de Jesus Cristo

 

Apresentar Jesus Cristo dentro do contexto em que o jovem vive e como resposta às suas angústias e aspirações mais profundas.

Modelo de discipulado: Maria

– escuta atenta e amorosa (Lc 1,26-38)

– adesão à vontade do Pai (Lc 1,38)

– atitude profética (Lc 1,39-55)

– fidelidade (Jo 19, 25-27)

– missionária (At 2)

Não existe seguimento verdadeiro de Jesus Cristo, sem a escuta da voz do Senhor nas celebrações e na oração (silêncio + contemplação). Os caminhos pastorais dos diversos grupos juvenis necessitam priorizar a oração pessoal, o diálogo ecumênico e religioso, a realidade cotidiana do jovem e o mundo das artes.

 

  1. Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus

 

Para a grande mídia e determinados setores sociais, a Igreja é uma instituição ultrapassada e burocrática. Ela não fala uma linguagem acessível e nem está em sintonia com o homem contemporâneo. A Igreja é criticada por, supostamente, defender apenas os interesses da própria instituição. Na Universidade, alguns docentes a apresentam como cúmplice de injustiças sociais. Constata-se, também, que, nos grandes centros urbanos, jovens como escolaridade e nível social mais elevados não estão presentes em nossas comunidades.

É imprescindível para a Igreja recuperar o frescor das primeiras comunidades cristãs, de forma a apresentar a vida eclesial como um elemento constitutivo para a felicidade do homem e como expressão de suas necessidades religiosas mais íntimas.

Portanto, nos diversos grupos juvenis, deve-se priorizar:

-os canais de participação e de envolvimento nas decisões (valorização da participação dos jovens nos conselhos, reuniões de grupo, assembleias, equipes, processo de avaliação e planejamento)

-a apresentação da Igreja como Mistério e não apenas como um lugar de encontro agradável

-a proclamação de um Deus que é alegre, dinâmico, criativo e ousado

– o jovem como um lugar teológico para acolher a voz de Deus que fala por meio da juventude.

 

  1. Construção de uma sociedade solidária

 

A juventude católica tem a missão de participar dos diversos debates sociais, iluminando-os com a força do Evangelho de Cristo. Por isso, em nossos grupos, o jovem deve ser educado para o exercício da cidadania, por meio do estudo e da compreensão do Ensino Social da Igreja.

 

Capítulo III – Linhas de ação

 (AGIR)

 

1ª linha de ação: Formação integral do discípulo

 

Dimensão Psicoafetiva – processo de personalização

(Quem sou eu? Qual é a relação comigo mesmo?).

Autoconhecimento/autocrítica – o silêncio interior favorece o encontro com Deus na oração e promove uma verdadeira conversão, não necessariamente de apenas caráter emocional.

 

Dimensão Psicossocial – processo de integração

(Quem é o outro? Como relacionar-me com ele?).

A vida comunitária pressupõe amizade, calor humano, aproximação afetiva e um projeto de vida em comum.

– educação para a sexualidade e para o relacionamento familiar

 

Dimensão Mística – processo teológico-espiritual

(Qual é a minha relação com Deus? De onde vim? Para onde vou? Qual o sentido de minha vida?).

Formação teológica – iniciação à leitura da Palavra, do conhecimento de Jesus Cristo e  da Igreja

Espiritualidade (experiência com Deus) – retiros, vivência sacramental, oração e serviço aos pobres.

 

Dimensão Sócio-político-ecológica – processo de participação-conscientização

(Qual é a minha relação com a sociedade? Como organizar a convivência social?)

 

Dimensão de capacitação – processo metodológico

(Como trabalhar? Como coordenar a reunião de um grupo? Como planejar e avaliar a ação evangelizadora?)

 

Pistas de ação

– avaliar periodicamente a situação pastoral do trabalho juvenil

– fazer um trabalho de conscientização vocacional (projeto de vida)

– organizar uma catequese crismal que esteja atenta ao engajamento na comunidade

– trabalhar com as escolas

– estabelecer parcerias com a Pastoral Familiar

– disponibilizar subsídios e palestras sobre temáticas relacionadas à educação para o amor

– garantir o exercício do poder coletivo, da iniciativa e da criatividade de seus participantes.

 

2ª linha de ação: Espiritualidade

 

Muitos jovens não foram iniciados na fé. Por isso, a evangelização da juventude deve contemplar a alegria, a expressão corporal, a música e os símbolos, para que os jovens encarnem o Evangelho em sua realidade.

O jovem necessita encontrar instrumentos, pessoas e momentos que o marquem profundamente como: a) a oração pessoal; b) a oração comunitária (Missa); c) a participação na comunidade; d) a leitura orante da Bíblia; e) a vivência dos Sacramentos (Reconciliação e Eucaristia); f) a devoção a Nossa Senhora (Festas Marianas); e g) leituras e reflexões sobre a vida de santos e sobre textos espirituais.

 

Pistas de ação

– orientar o jovem sobre o valor da oração pessoal

– facilitar o acesso ao sacramento da Reconciliação

– envolver os jovens nas diversas instâncias paroquiais

– promover cursos sobre Sagrada Escritura

– capacitar os assessores para a utilização da Leitura Orante em seus grupos

– desenvolver uma espiritualidade mariana

– organizar encontros de formação espiritual e retiros com os jovens

 

3ª linha de ação: Pedagogia da Formação

 

  1. Prioridade da experiência sobre a teoria

 

Em nossos grupos, é fundamental dialogar com os jovens, partindo de sua vida e de suas preocupações. (Método: Ver-Julgar-Agir-Celebrar)

Na metodologia da evangelização da juventude, deve-se contemplar a unidade entre o racional e o simbólico, para que a acolhida, a experiência de fraternidade, a utilização da música e dos testemunhos pessoais nas palestras, as dinâmicas e os simbolismos sejam promovidos com base em projeto unitário de pastoral.

 

  1. Pedagogia de pequenos grupos e eventos de massa

 

Os pequenos grupos são um instrumento pedagógico de educação na fé. Não se deve descuidar, também, dos eventos de massa. Eles são importantes meios para atrair novos jovens para as nossas comunidades. Entretanto, para que esses eventos promovam uma sólida evangelização, necessita-se envolver os pequenos grupos na fase anterior e posterior do acontecimento, para garantir que tudo esteja integrado num processo contínuo de fé.

 

  1. Níveis de evolução do processo de acompanhamento dos jovens

 

1- Organizar eventos para os jovens

Assessor diocesano ou Equipe de Coordenação – apenas organiza eventos para jovens

– não há um itinerário de educação da fé

– ausência do protagonismo dos jovens e falta de continuidade dos trabalhos com a troca de coordenação

2- Organizar grupos de jovens

– Sem nucleação em grupos de serviço, o assessor é obrigado a acompanhar os jovens individualmente.

Positivo: Preparação bem feita + acompanhantes capacitados

Limites: dificuldade causada pelo isolamento de grupos

 

3- Organizar os diversos grupos em rede

-Comissão de coordenação em diferentes níveis

– Processo de planejamento participativo

– Avaliações periódicas

Limites: falta de objetivos claros que canalizem as forças na mesma direção

 

4- Conscientizar os jovens sobre o Projeto Pastoral para a juventude

– Projeto pastoral compartilhado

– Sem este nível, os grupos caem no ativismo e na superficialidade

 

5- Levar em conta que o crescimento na fé se dá por etapas (Processo gradual)

 

Pistas de ação

-Promover em todos os níveis de organização uma pedagogia que favoreça o crescimento afetivo

-Organizar momentos de avaliação

– Utilizar a pedagogia de Jesus: convivência, oração e planejamento em comum

-Incentivar o hábito da leitura e proporcionar artigos, livros, documentos, CD’s e DVD’s

-Valorizar a Jornada Mundial da Juventude

– Promover a prática do voluntariado

 

4ª linha de ação: Discípulos e Discípulas para a missão

Constatação: os jovens organizados na Igreja são uma pequena parcela da população jovem. A maioria da juventude se encontra alheia ao Evangelho e ao processo de educação na fé.

 

Pistas de ação:

– divulgar o projeto ‘Missão Jovem’

– mobilizar os jovens para a missionariedade

 

5ª linha de ação: Estruturas de Acompanhamento

Desafio: fortalecer as estruturas organizativas e uma articulação mais ampla (Setor Juventude)

 

  1. a) Estruturas organizativas

Há, atualmente, uma crise nas estruturas de organização dos grupos de jovens das paróquias e comunidades. Muitas vezes, o assessor é obrigado a criar tudo sozinho, sem contar com apoio de outros e de uma experiência acumulada por antigos coordenadores.

  1. b) Articulação mais ampla

– organizar o Setor Juventude em cada Diocese

– organizar cursos e oficinas de capacitação técnica para assessores e jovens

– investir na comunicação através da Internet

 

6ª linha de ação: Ministério da Assessoria

– escolher com clareza e realismo as pessoas responsáveis

 

7ª linha de ação: Diálogo entre fé e razão

– organizar uma eficiente pastoral nas universidades

– promover materiais e subsídios

 

8ª linha de ação: Direito à vida

– conhecimento da Doutrina Social

– conscientização sobre a sacralidade da vida

– uso dos meios de comunicação de forma ética e responsável

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